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terça-feira, 16 de agosto de 2011

O guardião de memórias - Kim Edwards




Título: O guardião de memórias - The memory keeper's daughter
Autor: Kim Edwards
Editora: Sextante
Gênero: Ficção americana




  
"Kim Edwards uma romancista estreante, escreveu um livro de cortar o coração, alternadamente luminoso e sombrio, literário e cheio de suspense." - LIBRARY JOURNAL

Eu tive que colocar essa declaração pra começar essa resenha porque ela simplesmente descreveu o modo como eu vejo esse livro, hoje, depois de lido. Eu o li há um tempinho já, mas estava esperando um momento em que eu conseguisse fazer uma resenha sobre ele.

A história começa em 1964, quando a esposa do médico David Henry entra em trabalho de parto. Porém, uma forte tempestade de neve impede que eles saiam de casa e o médico tem que fazer o parto dos próprios filhos; gêmeos.
Um menino. Normal. Lindo.
Uma menina. Com Síndrome de Down.
Em um impulso, dr. David simplesmente toma uma atitude que mudará a vida de todos para sempre: entrega sua filha para sua enfermeira, Caroline, para que ela crie a menina, dizendo para a esposa que a criança havia morrido no parto.

Com certeza, se ele soubesse no que uma única decisão transformaria a vida de todos eles, ele teria pensado melhor. Um grande segredo, uma grande mentira, não levariam a uma vida linda e repleta de felicidade. Ao contrário, dor, saudade, imaginação e traição foram os únicos vestigios do vazio causado pela filha na vida de dr. David e Norah, sua esposa.

As personagens são muito reais, com sentimentos fortes e muita, muita profundidade. Muitas vezes, quando eu estava lendo, eu sentia uma profunda angústia, porque realmente, cada coisa que acontece só cava um buraco ainda mais fundo na vida de todos.

A felicidade e serenidade da Norah que é apresentada no começo do livro dão lugar a uma tristeza enorme e um apego a alguém que ela nunca viu, e que acha que morreu. O orgulho de ser pai do David do começo também dá lugar à vergonha e ao arrependimento, muitas vezes misturado com um medo de ter feito algo errado mas um suposto alívio de ter "se livrado" de um problema. O filho, o gêmeo que cresce sozinho, se torna uma pessoa infeliz. Sente falta da irmã e percebe a decadência de sua família. Me tocava demais as partes em que ele percebia a destruição de todo o amor entre eles. A menininha, Phoebe, é criada por Caroline e é tão fofa e esperta! Com suas dificuldades e limitações, ela vai vencendo uma vida que não era pra ser dela, mas com uma "mãe" que a ama muito.

Resumindo, é um livro lindo. É muito triste, talvez o mais triste que já li, porque não trata apenas do tópico de ter um filho especial; trata de preconceito, de separação, de dor, de traição, de amargura, de escolhas erradas. É um castelo de cartas em que, personagem por personagem, ele vai desmoronando. É uma linda lição de como o caminho que tomamos nos leva a lugares, talvez, inesperados. Leiam!

"Paul sentiu uma necessidade premente de oferecer a Phoebe o casamento que ela quisesse. Ou um bolo, pelo menos. Seria um gesto muito pequeno diante de todo o resto."  p. 354